O Relatório Mundial das Cidades de 2026, publicado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), mostra um cenário preocupante: cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo não têm uma casa apropriada para morar. O estudo aponta caminhos para enfrentar essa crise por meio do aumento de investimentos, da criação de projetos públicos de longo prazo e do trabalho em conjunto entre os diferentes níveis de governo.
No caso do Brasil, a organização destaca que os projetos de moradia e desenvolvimento urbano precisam respeitar a realidade de cada região. O documento reforça que a parceria entre o governo federal, os estados e as prefeituras é essencial para garantir o direito à moradia e construir cidades mais organizadas e seguras.
Para ajudar os prefeitos a lidarem com essa questão, a equipe de Planejamento Territorial e Habitação da Confederação Nacional de Municípios (CNM) preparou um guia prático com estratégias para melhorar as condições das casas e reduzir a falta de moradia adequada. O material está disponível para consulta na página da entidade.
Os dados globais do relatório revelam o tamanho do problema: quase metade das famílias no mundo (44%) gasta mais de 30% do que ganha apenas com custos de habitação. Por isso, a recomendação da ONU é que a verba pública seja usada de forma mais eficiente, facilitando tanto a construção de novas moradias quanto o acesso das famílias a subsídios.
O documento também alerta para o aumento do número de pessoas que são obrigadas a deixar suas casas devido a conflitos ou desastres naturais. Esse grupo chegou a mais de 123 milhões de pessoas, o dobro do registrado dez anos atrás. A maioria acaba indo para as cidades e morando de forma improvisada, em locais sem segurança ou em áreas de risco.
Além disso, nos países em desenvolvimento, as moradias informais representam até 80% das construções residenciais. Para os especialistas da ONU, a moradia informal faz parte do crescimento atual das cidades. Por isso, os governos precisam criar leis que facilitem a regularização dos terrenos, levem saneamento básico a essas áreas, apoiem reformas de casas e aumentem a oferta de moradias seguras para a população mais necessitada.
Fontes: Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos e Confederação Nacional de Municípios (CNM)

