Rua Juritis, Lote 05 - Sala 12 - Parque Atlântico, São Luís - MA

comunicacao@josivaldolopes.com.br

Guia orienta gestores municipais sobre como ampliar e institucionalizar a agricultura urbana e periurbana

Gestoras e gestores públicos dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros passaram a ter acesso a um conjunto de orientações e instrumentos para multiplicar e institucionalizar iniciativas, programas e ações de agricultura urbana e periurbana. Foi lançada nesta semana a publicação ‘Agendas municipais de agricultura urbana e periurbana: um guia para inserir a agricultura nos processos de planejamento urbano’, iniciativa executada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da EAESP-FGV (FGVces) em parceria com a Coordenação Geral de Apoio à Agricultura Urbana e Periurbana do Ministério da Cidadania. A coordenação é do TEEB Agricultura & Alimentos, vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). O financiamento é do Instrumento de Parceria da União Europeia.

O documento divulga caminhos que podem ajudar os municípios a impulsionar e institucionalizar a prática, entendida como fundamental para promover segurança alimentar e nutricional, gerar renda às populações vulneráveis, reduzir a distância entre produtores e consumidores, gerar benefícios ambientais, além de garantir às cidades maior resiliência frente aos impactos das mudanças do clima.

» Agendas municipais de agricultura urbana e periurbana: um guia para inserir a agricultura nos processos de planejamento urbano

“O fortalecimento das práticas de AUP não é tarefa simples, pois em muitos municípios há um vazio institucional e uma falta de apoio para assegurar e incentivar a prática”, afirma Jéssica Chryssafidis, pesquisadora do FGVces. “Na pesquisa que fizemos, não encontramos nada similar ao guia, dentro ou fora do país, o que reforça o ineditismo e a importância do conteúdo para ajudar a inserir a agenda nos processos de planejamento urbano e proporcionar às cidades todos os benefícios que a prática é capaz de oferecer”.

O diretor do Departamento de Estruturação de Equipamentos Públicos, Luis Romaguera, afirma que o Ministério da Cidadania já vem se apropriando das provocações feitas pelo guia e ampliando debates junto à rede de parceiros, no sentido de avançar nos diálogos locais sobre os caminhos e possibilidades para que a agricultura urbana e periurbana se institucionalize como agenda estratégica nos municípios. Romaguera reforça que o Brasil se encontra em posição pioneira e inédita ao ser o primeiro país a elaborar um guia para agendas municipais de agricultura urbana e periurbana em contexto nacional e de forma participativa.

“Além produzir alimentos e gerar renda, a Agricultura Urbana e Periurbana pode mitigar ondas de calor, diminuir as inundações, incorporar resíduos orgânicos e melhorar a qualidade e a quantidade da água para o consumo doméstico. Entendemos que para alcançar esses benefícios é fundamental trabalhar junto com os municípios para fortalecer esta agenda”, afirma Regina Cavini, Representante Adjunta do PNUMA.

“Uma vez que reconhecemos e aceitamos os benefícios de conviver em harmonia com a natureza, descobriremos que escolher a Agricultura Urbana e Periurbana faz sentido tanto em termos econômicos quanto nas dimensões e sociais e ambientais da sustentabilidade, contribuindo assim para diminuir a insegurança alimentar e fornecer dietas adequadas e saudáveis”, afirma Salman Hussain, coordenador do TEEBAgriFood/PNUMA.

Principais conteúdos e mensagens 

Em linhas gerais, o conteúdo se divide em três grandes blocos. São eles:

» Benefícios da agricultura urbana e periurbana para as cidades

» Elementos para caracterizar os diferentes tipos de agricultura nas cidades

» Instrumentos para fortalecer a agenda de agricultura urbana e periurbana nos municípios

Quadro analítico

Em função da heterogeneidade dos municípios brasileiros e da pluralidade de iniciativas de AUP, o guia optou por trazer um quadro analítico na seção que se propõe a apoiar os/as agentes públicos municipais na caracterização da prática. Composto por 10 variáveis, o quadro permite compreender de que maneira a prática acontece nos municípios e toda a sua multiplicidade em termos de escala, gestão, finalidade e outros aspectos.

Finalmente, na última seção, o documento propõe um conjunto de instrumentos para o escalonamento da agenda de forma integrada e sistêmica em duas direções: o chamado escalonamento vertical, relacionado à institucionalização da agricultura urbana e periurbana e à criação de marcos legais e regulatórios que garantam sua continuidade; e o escalonamento horizontal, que se refere a incentivos e ações para a multiplicação das iniciativas em termos quantitativos e qualitativos.

Construção participativa

O documento foi elaborado de forma participativa e mobilizou a formação de um Comitê Técnico e Diretivo e a realização de discussões temáticas junto a 38 atores de diferentes esferas governamentais, da sociedade civil organizada e de instituições de ensino e pesquisa. O processo de produção também contou um trabalho de pesquisa e sistematização do conhecimento científico no tema e a condução de entrevistas com municípios brasileiros que já estão avançados em ações de agricultura urbana e periurbana.

Para ampliar a participação de pessoas e organizações engajadas e interessadas na pauta, o documento ainda passou por uma fase de consulta pública, processo a partir do qual novas contribuições foram incorporadas.  “A versão final disponível ao público, portanto, é resultado de contribuições e revisões de dezenas de pessoas e instituições”, acrescenta Chryssafidis.

De acordo com Kelliane Fuscaldi, Coordenadora-Geral de Apoio à Agricultura Urbana e Periurbana do Ministério da Cidadania, a agricultura urbana pode ser uma agenda promissora e com oportunidades para ajudar a pensar como os desafios das cidades podem ser resolvidos a partir de soluções baseadas na natureza. Portanto, para apoiar os municípios na implantação do Guia, o Ministério da Cidadania, por meio do Programa Nacional de Agricultura Urbana, oferece ferramentas e cursos online que podem ser utilizados pelos municípios para fortalecer ou iniciar as iniciativas de agricultura urbana.

Com informações do Ministério da Cidadania.

Talvez você queira ler também

Prazo para retomada de obras da saúde é prorrogado; Municípios têm até 6 de abril para regularização

O governo federal prorrogou o prazo para que gestores municipais comprovem a retomada de obras na área da saúde vinculadas ao Pacto Nacional de...

Prefeituras recebem segundo repasse de março do FPM nesta sexta-feira (20); valor soma R$ 1,3 bilhão

As prefeituras de todo o país recebem nesta sexta-feira, 20 de março, o segundo repasse mensal do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O...

Entenda Enriquecimento Ilícito da Adninistração

Na gestão contratual das contas públicas, é corriqueiro encontrar situações que fogem dos parâmetros legais. É sabido que, no Direito Privado, as partes podem...

Portaria suspende exigências para repasse emergencial do SUAS a municípios afetados por chuvas intensas

A publicação da Portaria MDS nº 1.168/2026 estabeleceu a suspensão temporária de exigências administrativas para o repasse de recursos federais destinados ao atendimento socioassistencial...